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	<title>Rodrigo Savazoni &#187; televisão</title>
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		<title>Em transe: A melhor TV Digital</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 22:40:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ela não é uma evolução da televisão. É mais parecida com um computador. E está em construção
Clay Shirky, pesquisador norte-americano de novas mídias, escreveu um livro chamado Here Comes Everybody e mantém um blog com o mesmo nome. Em um texto publicado recentemente, ele compara a mídia no século 20 a uma corrida na qual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ela não é uma evolução da televisão. É mais parecida com um computador. E está em construção</em></p>
<p>Clay Shirky, pesquisador norte-americano de novas mídias, escreveu um livro chamado <a href="http://www.herecomeseverybody.org">Here Comes Everybody</a> e mantém um blog com o mesmo nome. Em um texto publicado recentemente, ele compara a mídia no século 20 a uma corrida na qual só o que importa é consumir e indica que a mídia daqui para a frente será um triatlo, em alusão à modalidade esportiva em que os atletas nadam, pedalam e correm para cumprir a prova: “As pessoas consomem, mas também gostam de produzir e de compartilhar”. Ou seja, é uma mídia feita por e para todo mundo.</p>
<p>A TV Digital que se discutiu no Brasil, nos últimos anos – que consiste basicamente na migração do sistema de televisão aberta e gratuita do formato analógico para o digital – pertence a esse velho mundo que está ruindo. Ninguém, no fundo, quer uma televisão que continue a estimular a passividade do público, que não permita interação, que apenas ofereça uma qualidade de imagem melhor.</p>
<p>De acordo com dados do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre divulgados em dezembro, quando o SBTVD fez um ano, apenas 150 mil receptores fixos foram vendidos no Brasil. A estimativa dos promotores do sistema é de que 600 mil pessoas tenham hoje acesso à TV Digital no país. Além disso, foi divulgado que a sonhada interatividade (o que poderia ser o diferencial da TV digital) só deve chegar – se chegar – em 2010.</p>
<p>Enquanto isso, uma outra TV Digital se estrutura no mundo todo, resultado da convergência do audiovisual com a internet. Uma TV Triatlo, para pegar a imagem construída por Shirky. Essa é a grande aposta de 2009. É assim que pensa Steve Balmer, sucessor de Bill Gates na Microsoft, conforme registrou o site G1: “Por mais de 60 anos, a TV se tornou o principal centro de entretenimento da família. Sua resolução das imagens melhorou, mas as funcionalidades se mantiveram praticamente as mesmas. Agora é a hora de TVs mais conectadas e do fim das barreiras entre televisão e computador”.</p>
<p>Um dos mais recentes exemplos dessa visão é o projeto internet@TV, parceria do Yahoo! com a Intel, que consiste num conjunto de aplicativos que rodam integrados a vários modelos de aparelhos de televisão. Usando o controle remoto, o usuário de TV passa a navegar na web. Não se trata de transformar a televisão em um computador, mas de um formato híbrido.</p>
<p>O presente ainda demonstra que a rainha dos lares brasileiros segue firme em seu trono. O futuro, no entanto, passa por aí.</p>
<p>A audiência dos telejornais, telenovelas e demais produtos das emissoras abertas até agora apenas sofreu arranhões. Mas, conforme reportagem publicada pela edição de novembro da revista Tela Viva, especializada no mercado de telecomunicações, o público plenamente satisfeito com a TV aberta está concentrado na faixa de idade com mais de 50 anos. Os mais jovens querem o triatlo (veja o gráfico).</p>
<p><strong>Como será o amanhã</strong></p>
<p>Ainda é difícil saber como será a TV do futuro, mas algumas experiências que estão em curso, no Brasil e no exterior, já apontam um caminho. Você já ouviu falar no Napster? O software que acabou com a indústria da música, por permitir às pessoas trocarem arquivos entre suas máquinas. E no Skype? O software que oferece ao usuário fazer ligações telefônicas pelo computador a custo zero. Pois bem, esses dois programas têm em comum o fato de utilizar Peer-to-Peer (ponto a ponto, ou, em tradução livre, pessoa a pessoa), tecnologia que permite às máquinas (consequentemente aos indivíduos) dialogar.</p>
<p>Essa ideia, aplicada à transmissão de arquivos audiovisuais, recebeu o nome de broadcatching e poderá ser o vilão definitivo da radiodifusão (broadcast). Um dos mais interessantes softwares de broadcatching é o <a href="http://www.getmiro.com">Miro</a>, que você pode instalar em seu computador. Ele funciona em formato de compartilhamento de arquivos sob demanda e permite a “assinatura de canais”, alguns deles exclusivos. A maioria das ofertas é apenas em inglês.</p>
<p><strong>Transmissão participativa</strong></p>
<p>Desde setembro, a TV Cultura, no endereço www.radarcultura.com.br/rodaviva, promove transmissões experimentais participativas do programa de debates Roda Viva, às segundas-feiras à noite. Em uma página web são exibidos três vídeos, um deles com a transmissão “oficial”, outro com os bastidores (que ficam permanentemente no ar, inclusive antes e depois do término do programa) e outro que acompanha o cartunista Chico Caruso.</p>
<p>Nessa mesma página há também um chat e ambientes que reúnem mensagens postadas pela rede social <a href="http://www.twitter.com">Twitter</a> e fotos feitas na arena do programa por usuários da rede social <a href="http://www.flickr.com">Flickr</a>. Nos intervalos, a repórter Lia Rangel invade a roda e faz aos entrevistados as perguntas propostas no chat ou pela Twitter. Essa interação tem agradado muito os participantes da experiência.</p>
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		<title>Coluna na Revista do Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jul 2008 15:07:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Começo este mês a publicar uma coluna mensal na Revista do Brasil.
O nome do projeto é EM TRANSE. O objetivo é falar desse nosso cenário em mutação, dos impactos nas nossas vidas, de um jeito bem simples, didático, para um público não iniciado, mas que sente que algo está ocorrendo ao redor &#8211; e que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começo este mês a publicar uma coluna mensal na <a href="http://www.revistadobrasil.net">Revista do Brasil</a>.</p>
<p>O nome do projeto é <strong>EM TRANSE</strong>. O objetivo é falar desse nosso cenário em mutação, dos impactos nas nossas vidas, de um jeito bem simples, didático, para um público não iniciado, mas que sente que algo está ocorrendo ao redor &#8211; e que vai ser protagonista ou vítima desse processo de hiperconectividade social em curso.</p>
<p>Serão duas páginas de revista por mês: bastante coisa. Na primeira, um texto corrido, sobre algum assunto relevante do momento e a segunda com dicas e sugestões, minhas e dos leitores. Portanto, enviem suas propostas, que eu terei o maior prazer em aproveitar por lá. Estou trabalhando na criação de uma comunidade de leitores da coluna.</p>
<p>Abaixo, a versão que enviei para publicação. No papel, sofreu pequenos ajustes:<br />
<strong><br />
A máquina somos nós</strong></p>
<p>A internet mudou nossas vidas. E isso é só o começo. Nos últimos anos, muitos brasileiros caíram na rede e descobriram como é legal interagir para obter e produzir informações. Números divulgados pelo Datafolha em agosto do ano passado apontam que temos no país cerca de 50 milhões de internautas com mais de 16 anos. Contando que muita gente com menos de 16 usa internet, dá para estimar que já somos uns 70 milhões em ação.</p>
<p>Dos países do planeta, O Brasil é aquele onde as pessoas mais passam tempo navegando, conforme dados de abril divulgados pelo Ibope/Net Ratings. Ainda assim, há quem tema a internet e as mudanças que ela promove. Muita gente simplesmente não a entende. Quem entra, porém, não vive mais sem.</p>
<p>Um vídeo que ajuda a compreender essa explosão de interesse, fascínio e apreensão, é A Máquina Somos Nós, produzido pelo Professor-Assistente de Antropologia Cultural da Universidade do Kansas, Michael Wesch. Está no <a href="http://www.youtube.com.br">You Tube</a>.</p>
<p>Nesse vídeo, Wesch fala de uma coisa chamada Web 2.0. Já ouviu falar?</p>
<p>Pois é, para explicar a expressão, recorro justamente a um dos sites da Web 2.0: a <a href="http://pt.wikipedia.org">Wikipedia</a>. A maior enciclopédia do mundo é escrita por todos nós. Sim, trata-se de uma espécie de biblioteca infinita, feita da colaboração entre internautas. Nela, a gente produz os verbetes, outras pessoas acrescentam informações, melhoram e fazem consultas.</p>
<p>E o que a Wikipedia nos diz sobre Web 2.0? “É um termo cunhado em 2004 pela empresa estadunidense <a href="http://oreilly.com/">O&#8217;Reilly Media</a> para designar uma segunda geração de comunidades e serviços baseados na plataforma Web, como wikis, aplicações baseadas em folksonomia e redes sociais”.</p>
<p>Complicou? Para simplificar, então. Web 2.0, por exemplo, é o <a href="http://www.orkut.com">Orkut</a>, um site de relacionamento onde tudo é produzido pelos usuários, é possível montar comunidades, conhecer pessoas, organizar suas fotos, seus vídeos, visitar seus amigos, mandar mensagens, enfim&#8230;</p>
<p>Outro exemplo é o Delicious (http://del.icio.us), um site que nos permite catalogar páginas favoritas de forma que outras pessoas possam vir as nossas dicas. Esse processo, de cidadãos organizando conteúdos, ganhou o nome de Folksonomia.</p>
<p>O próprio You Tube, onde está armazenado o vídeo de Wesch, pertence a esse cenário 2.0. Nele, quase nada do conteúdo disponível é produção da empresa que criou o serviço. São os usuários que mandam, produzem, trocam e interagem. Para se ter uma idéia do fenômeno, o You Tube, no Brasil, está entre os dez sites mais acessados. É o quarto, no <a href="http://www.alexa.com">ranking Alexa</a>.</p>
<p>A Web 2.0 é grande responsável por tanta gente gostar da rede. A gente poderia também chamá-la de Web Social, nome que me agrada mais porque Web 2.0, como citado acima, é criação de uma empresa. Não passa de um rótulo para algo que segundo Tim Berners Lee, o pai da internet, é a própria essência desse novo meio de comunicação.</p>
<p>Também gosto da expressão Web Social porque os sites que fazem sucesso são justamente aqueles que se moldam às nossas vidas. Um exemplo: na época do analógico, tirávamos as fotos, colocávamos no álbum e esperávamos uma visita para compartilhar. Hoje, basta criar um fotolog e enviar o link, que mesmo aquele amigo que mora muito longe pode acompanhar a sua história. Os sites estão cheios de serviços assim. O site <a href="http://www.fotolog.com">fotolog</a>, por exemplo, é o número 18 no ranking Alexa. É um site social. 2.0, se você preferir. Um sucesso.</p>
<p>O filme de Wesch, de menos de dez minutos, explica como é que isso tudo surgiu, de forma bem didática. Nele, há uma frase que sintetiza o que escrevi até agora: “a web não é mais apenas para ligar informações, a web é para ligar pessoas, a web 2.0 é para ligar pessoas, compartilhando, trocando e colaborando”. Por isso a nossa vida mudou.</p>
<p><em>COMENTÁRIO: Ainda acho que não atingi o tom nesse coluna. Queria ser didático, simples, mas acho que juntei muita coisa, no mesmo lugar. A segunda, que no próximo mês compartilho com vocês, sobre a terceira geração de celulares, acho que já ficou bem melhor. </em></p>
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		<title>Globo Livre? Segue o debate</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 21:05:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Minha provocação anterior já rendeu um debate legal, com contribuições de muita qualidade. Como ainda tem gente que vai a blog e não lê comentários &#8211; reproduz o esquema de ler um velho jornal de papel &#8211; produzi um post articulando as posições dos meus parceiros de produção de conhecimento.
A Tainã, do blog Tai Nalon, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://flimultimidia.com.br/rodrigo-savazoni/files/2008/04/blog_globo.jpg' title='Globo_Livre'><img src='http://flimultimidia.com.br/rodrigo-savazoni/files/2008/04/blog_globo.jpg' alt='Globo_Livre' /></a></p>
<p>Minha provocação anterior já rendeu um debate legal, com contribuições de muita qualidade. Como ainda tem gente que vai a blog e não lê comentários &#8211; reproduz o esquema de ler um velho jornal de papel &#8211; produzi um post articulando as posições dos meus parceiros de produção de conhecimento.</p>
<p>A Tainã, do blog <a href="http://tainalon.com/">Tai Nalon</a>, conta que já trabalhou para a <a href="http://www.globo.com">Globo.com</a> e acompanhou o início da abertura da empresa para o uso de tecnologias livres. Ela inclusive vincula o sucesso da Globo na internet, depois de anos amargando uma posição aquém da sua força editorial, ao uso dessas tecnologias.</p>
<blockquote><p>Trabalhei numa extensão da Globo.com no ano passado como produtora de conteúdo para o portal <a href="http://www.globoradio.com">Globoradio.com</a>. Naquela época, a orientação executiva era de que usássemos blogs dos serviços oferecidos pelo portal Globo.com, o Globolog. Algumas semanas depois de montarmos os blogs das rádios, tivemos a notícia de que o G1 tinha peitado a orientação da diretoria e colocou todos os seus blogs baseados em <a href="http://www.wordpress.com">Wordpress</a>. O motivo? Além de economicamente mais viáveis, os softwares de publicação do grupo Globo.com, como blogs, fotologs e publicadores php tinham sido limados com a mudança de gestão da empresa por serem ultrapassados, engessados e mal desenvolvidos. Agora, todo o ramo de desenvolvimento de softwares da Globo.com está focada em migração da estrutura vigente para uma open source em que eles podem fazer as modificações necessárias de modo a personalizá-las apenas para eles.
</p></blockquote>
<p>O Welington Andrade, do <a href="http://www.wakky.com.br/">Wakky</a>, também relata uma experiência recente dele. Ele participa de uma rede de desenvolvimento, na qual também figuram programadores da Globo. Ele relata que as melhorias produzidas pelo Globo Online para a rede social de leitores <a href="http://www.globoonliners.com.br/index.php?logado=nao">GloboOnliners</a>, já foram devolvidas à comunidade.</p>
<blockquote><p>Estou estudando uma pacote para criação de redes, desenvolvido por um pessoal da Coppe-Rio. Alguns dos participantes do fórum são pessoas da Globo que usaram esse pacote na criação do Globoonliners e hoje compartilham as melhorias.
</p></blockquote>
<p>A designer <a href="http://www.yaso.in">Yasodara Córdova</a>, com quem tive o prazer de trabalhar na <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br">Agência Brasil</a>, avalia esse tipo de movimento como positivo. Ou seja, isso significaria uma vitória do software livre, abrindo cabeças da velha mídia.</p>
<blockquote><p>Se a Globo se apropria, modifica, aprimora e continua dentro da proposta do SL é porque a empresa tomou essa decisão, simplesmente. Penso que é uma oportunidade para os programadores da área ganharem mais e serem mais valorizados, quem sabe.
</p></blockquote>
<p>O <a href="http://www.andredeak.com.br">André Deak</a> compartilha do olhar positivo. Para ele, o software livre venceu a guerra contra o software proprietário. Isso é fantástico, porque significa que o conhecimento humano será partilhado. Imaginem o que seria de nós se Galileu tivesse patenteado seu estudos, criado a Galileu.inc e impedido o uso de suas descobertas por outras pessoas.</p>
<blockquote><p>Eu fiquei convencido, depois desse FISL, que o software livre venceu. É questão de tempo. Não pelos motivos ideológicos (a Globo.com diz não ter previsão de quando vai poder retornar suas melhorias para a comunidade, aliás), mas em alguns anos vai estar tudo dominado. Acho que é um passo, dentro de uma batalha muito maior, e na verdade pode ser que seja só um pequeno passo.</p></blockquote>
<p>Deak lembra o trabalho de mestrado do Rafael Evangelista. Em sua tese, <a href="http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000349663">Evangelista mostra que existem duas correntes muito fortes dentro da comunidade software livre</a>. A ideológica, inspirada em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Stallman">Richard Stallman</a>, criador da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Free_Software_Foundation">Free Software Foundation</a>, e outra, mais pragmática, que segue as teorias de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eric_Steven_Raymond">Eric Raymond</a>, autor de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Catedral_e_o_Bazar">A Catedral e o Bazar</a> e defensor do termo Open Source. São grupos que trabalham com códigos-fonte abertos, regidos por éticas distintas.</p>
<p>No post que originou esse blá, blá, blá todo, Deak aponta para o fato de que a Globo está &#8220;estudando&#8221; como devolver suas contribuições à comunidade. Ou seja, ainda não é prática da empresa compartilhar o que elaborou a partir do compartilhamento. Talvez por medo de que outras empresas &#8211; que não aderiram à partilha do conhecimento &#8211; &#8220;roubem&#8221; suas inovações.</p>
<p>A professora-doutora e pesquisadora Caru Schwingel também acrescenta informações ao debate ao revelar que o processo de abertura das corporações às tecnologias livres começou com o Terra. Esse tema foi seu objeto de estudo em Cibercultura, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Caru pertence ao <a href="http://www.gjol.blogspot.com">Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online</a>, o mais sério e importante do Brasil.</p>
<blockquote><p>Interessante esse direcionamento. Há alguns anos, eles estariam fazendo uma mesa mostrando o resultado de engenharia reversa nos sistemas web usados pela Globo. Agora, talvez tenham optado pela ênfase no aspecto de que o Software Livre, além de economicamente viável, é um dos mais robustos e confiáveis, quando o assunto é protocolos e servidores para redes telemáticas interativas. Outro sentido interessante que vejo, é que os técnicos vinculados aos Projetos Softwares Livres no Brasil têm levado suas ideologias e competências a vários projetos governamentais e empresariais. Antes de mais nada, eles garantem que uma licença GPL continue GPL, e seu trabalho parte daí. Quem primeiro fez uma migração total para SL, de forma discreta, foi o terra.
</p></blockquote>
<p>Quem mais se atreve? O que significa para você o tux platinado? Uma brincadeira de mal gosto? Uma bem-vinda vitória dos hackers? É ou não é um tema bem divertido para a gente pensar o futuro da comunicação brasileira?</p>
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		<title>Globo no Fisl: o que isso realmente significa?</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Apr 2008 23:58:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O André Deak escreveu e eu fiquei curioso. Fui investigar, e encontrei essa foto aí. A Globo estava no Festival Internacional de Software Livre, o Fisl. Patrocinou o evento e montou estande por lá. Indaguei-me: afinal, o que isso realmente significa? 



Escrevi um texto, publicado aqui e no Observatório da Imprensa com o qual debato [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://www.andredeak.com.br">André Deak</a> escreveu e eu fiquei curioso. Fui investigar, e encontrei essa foto aí. A Globo estava no <a href="http://fisl.softwarelivre.org/9.0/www/">Festival Internacional de Software Livre, o Fisl</a>. Patrocinou o evento e montou estande por lá. Indaguei-me: afinal, o que isso realmente significa? 
<p><a href='http://flimultimidia.com.br/rodrigo-savazoni/files/2008/04/globo_fisl.jpg' title='Globo no FISL'><img src='http://flimultimidia.com.br/rodrigo-savazoni/files/2008/04/globo_fisl.jpg' alt='Globo no FISL' /></a><br />

<p>
Escrevi um texto, publicado <a href="http://www.savazoni.com.br/?p=46">aqui </a>e no <a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=450IPB001">Observatório da Imprensa</a> com o qual debato a opção do monopólio pela perpetuação do monopólio. Nesse texto, cito a <a href="http://www.globo.com">Globo</a>, e seus padrões monopolistas.</p>
<p>Segundo o Deak, a Globo <a href="http://www.softwarepublico.gov.br/fisl9/3806155">causou frison no Fisl</a>. Principalmente entre os programadores, por causa da convocatória “precisamos do seu talento”. Ou seja, a Globo quer ter na sua equipe quem manje de software livre. Legal.</p>
<blockquote><p>Dois gerentes de tecnologia da empresa, Marco Lucio Moreira e Jacques Douglas Varaschim, estiveram na sala de imprensa conversando com os jornalistas. &#8220;Não usamos software livre só pela economia. Usamos pela qualidade&#8221;, defendeu Varaschim. A Globo.com usa software livre desde 2002, mas espantou os participantes do FISL ao revelar que todo o sistema de votação do Big Brother Brasil, os blogs do portal e muito da parte interna de transmissão de vídeos é totalmente open source. Os gerentes deram vários exemplos de tecnologia livre usada pela Globo.com (a TV Globo usa alguma coisa, mas não souberam especificar). Foram questionados sobre a devolução para a comunidade das descobertas e evoluções tecnológicas feitas pela empresa, e disseram que pretendem aprender a fazer isso. &#8220;Ainda estamos aprendendo a compartilhar e devolver os códigos&#8221;, disse Moreira.
</p></blockquote>
<p>Essa é uma tendência que pode ser observada em vários lugares do mundo. No<a href="http://www.nytimes.com"> The New York Times</a>, que usa wordpress nos seus blogs, no <a href="http://www.washingtonpost.com">Washington Post</a>, que utiliza o Django, na ABC, que, parece, usa alguma coisa de Plone.</p>
<p>Isso porque não faz sentido pagar caro por sistemas proprietários que vão amarrar e engessar o desenvolvimento da sua equipe. Sistemas proprietários esses, a maior parte, inferiores aos livres. É bom saber que as empresas brasileiras, em particular a Globo, sacaram isso.<br />

<p>Não sei porque, no entanto, lembrei-me de um trecho do artigo que escrevi outrora. Acho que ele ajuda a entender o que penso da presença da Globo no Fisl.</p>
<blockquote><p>Não basta defender o software livre porque ele é uma opção economicamente mais viável. Isso é conseqüência. Há de se defender o software livre porque só ele permite que o conhecimento circule, que a troca ocorra, que a sociedade acumule.<br />
Em relação à economia que o software livre gera, isso até o grande capital é capaz de assimilar. Não fosse assim, os grandes grupos não se preocupariam em produzir páginas de informação compatíveis com o Firefox, as quais, durante muito tempo, não rodavam em outro navegador que não o Microsoft Internet Explorer.<br />
A qualidade do Firefox levou uma série de usuários comuns a utilizá-lo, o que – por critérios de mercado – vem forçando os defensores da propriedade a aceitá-lo. Mas isso é mercado. Ok, é um deslocamento. Uma assimilação. É sempre bom produzir bons produtos, mas muito mais importante é manter aberta e limpa a via para o desenvolvimento da liberdade e da comunicação.</p></blockquote>
<p>E você, amigo ou amiga que vem até este blog, o que acha de a Globo usar sofware livre? E o que acha de madeireiros contrários ao desmatamento? E de latifundiários favoráveis à reforma agrária? Quem se beneficia com isso, eles ou nós?</p>
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		<title>Uma odisséia pelo direito à informação</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Apr 2008 20:51:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em Brasília, 19 horas: a guerra entre a chapa-branca e o direito à informação no primeiro governo Lula, de Eugênio Bucci, 294 pp., Editora Record, Rio de Janeiro, 2008
Quando assumiu a direção da Radiobrás, em 2 de janeiro de 2003, Eugênio Bucci começou a escrever uma nova história da comunicação pública no Brasil. Com uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Em Brasília, 19 horas: a guerra entre a chapa-branca e o direito à informação no primeiro governo Lula, de Eugênio Bucci, 294 pp., Editora Record, Rio de Janeiro, 2008</em></p>
<p>Quando assumiu a direção da Radiobrás, em 2 de janeiro de 2003, Eugênio Bucci começou a escrever uma nova história da comunicação pública no Brasil. Com uma idéia na cabeça – lutar pelo direito à informação – munição intelectual e alguns poucos mas fiéis soldados, invadiu o Planalto Central brasileiro ciente de que sofreria vergonhosa derrota. Ao fim e ao cabo, deixou a guerra quando quis, como quis, o que só ocorre com grandes estrategistas. Venceu.</p>
<p>Recolheu as armas e iniciou seu périplo de retorno ao Planalto Paulista em 20 de abril de 2007, deixando para trás uma empresa transformada, um trabalho reconhecido por parte da população e as bases da reforma que o governo agora promove com a transformação da Radiobrás e da Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto) em Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Em seus quatro anos, três meses e vinte dias de Brasília, pelejou, acertou, errou, de forma destemida, consciente que estava dos riscos.</p>
<p>O compilado das batalhas foi reunido em uma obra de 294 páginas que leva o nome de <em>Em Brasília, 19 horas – A guerra entra a chapa-branca e o direito à informação no primeiro governo Lula</em>, da Editora Record. Uma &#8220;crônica de Aldeia&#8221;, no dizer do próprio autor, honesta e profunda, em que Bucci dialoga não apenas com os iniciados no debate da comunicação – muito embora o livro seja obrigatório para comunicadores em geral –, mas potencialmente com todos os brasileiros que querem conhecer como o governo Lula se processa.</p>
<p>É o melhor dos livros publicados, até agora, sobre os bastidores de Brasília pós-2003 – não porque faça revelações bombásticas, mas porque descreve verdades. Algumas delas incômodas, com valor de notícia, o que ficou comprovado no último fim de semana, quando o livro chegou às páginas dos principais diários do país. No sábado (5/4), Em Brasília, 19 horas mereceu uma resenha sensível e bem apurada de O Globo, uma página bem feita de O Estado de S.Paulo e uma leitura da Folha de S.Paulo, escrita pelo apresentador do Roda Viva, da TV Cultura, Carlos Eduardo Lins da Silva [ver aqui].</p>
<p>No trabalho, Bucci reproduz bilhetes de José Dirceu, então ministro da Casa Civil, e de Ricardo Berzoini, ex-ministro e atual presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), narra as reações do ministro Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação (Secom) e do próprio presidente da República, e torna pública as ações subterrâneas do assessor de comunicação da Secom, Bernardo Kucinski. Sem essas histórias, não estaríamos diante de uma obra veraz. As contrariedades, disputas e pressões fizeram parte do cotidiano do presidente da Radiobrás. Mas elas são tratadas, no decorrer do texto, com extrema naturalidade – afinal, guerras pressupõem, no mínimo, dois lados contrapostos. E essa não foi uma guerra diferente de qualquer outra.</p>
<blockquote><p>&#8220;(&#8230;) Todas as minhas críticas sobre o equívoco editorial da Radiobrás já foram feitas por escrito e oralmente ao Gushiken, ao Bucci, ao Garcez, ao Dieguez, mais de uma vez. Além disso ofereci as soluções, por escrito, também mais de uma vez. Acho que um dos problemas do nosso governo foi a forma como deixamos setores vitais em mãos despreparadas e principalmente não dispostas a ouvir. Demiti-me do Conselho da Radiobrás por causa disso e o Lassance se demitiu há pouco por causa disso. Betty [sic] Carmona também se demitiu. Registre, para todos os efeitos, que a direção da Radiobrás imprimiu uma determinada direção à cobertura jornalística da Agência Brasil, chamada por eles de jornalismo público, que além de executada de forma incompetente e não atender as nossas necessidades de comunicação, nunca recebeu mandato explícito do governo.&#8221; (Trecho de carta de Bernardo Kucinski, enviada a Gilberto Carvalho, chefe do gabinete de Lula, com críticas à gestão da Radiobrás, especialmente da Agência Brasil).</p></blockquote>
<p><strong><br />
A face humana da guerra</strong></p>
<p>Mas há muito mais que revelações de bastidor no livro. Em Brasília, 19 horas descreve o trabalho cotidiano de engenharia republicana que ocorreu na Radiobrás durante o governo Lula. Um esforço bélico de lapidação de conceitos, parâmetros editoriais e compromisso público realizado por personagens até então desconhecidos (entre os quais eu me incluo) e que são generosamente apresentados pelo autor-general.</p>
<p>Durante o tempo em que esteve à frente da Radiobrás, Bucci imprimiu – como ele mesmo afirma na introdução – o melhor de &#8220;sua personalidade para construir a impessoalidade&#8221;. Esse seu movimento foi assimilado por sua equipe, configurando uma gestão radicalmente partidária do apartidarismo, da objetividade, da pluralidade e da transparência. O resultado imperfeito – e muito aquém do necessário – a que se chegou é fruto das nossas limitações, não da falta de empenho.</p>
<p>O livro de Bucci também tem o mérito de contar a história da Radiobrás, uma empresa criada durante a ditadura militar e bancada há 30 anos pelo dinheiro do contribuinte ao custo médio de 100 milhões de reais por ano. Absolutamente desconhecida da maioria dos brasileiros – a não ser por ser a produtora dos 25 minutos destinados ao poder executivo em A Voz do Brasil – a Radiobrás é o óvulo da nova Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que será responsável pela TV Brasil, a imberbe TV Pública brasileira.</p>
<p>Conhecer de que trompas se origina a nova comunicação pública brasileira é fundamental, por um lado, para que os atuais gestores não repitam erros do passado e, por outro, para que os cidadão ampliem sua capacidade de fiscalizar os produtos editoriais da nova empresa, que será melhor à medida que mais e mais brasileiros dela se apropriarem. Tomar contato com o passado de servilismo e governismo imemorial pode impedir que retrocessos ocorram.</p>
<blockquote><p>&#8220;Em suma, apesar do período em que ficou encarregada da promoção de civismo autoritário, a Radiobrás jamais teve a seu cargo qualquer outra função que não fosse a de informar o público, e nisso baseou sua gestão iniciada em janeiro de 2003. Com base na lei, e no que entendíamos ser o espírito da lei no transcurso do tempo, reforçamos a objetividade impessoal dos noticiários e pusemos cada vez mais para longe os resquícios de promoção governamental que subsistiam dentro da organização. De novo, a dificuldade não era tanto a lei, mas os condicionamentos internos de profissionais, herdados de traumas profundos.&#8221; (Em Brasília, 19 horas, pág. 85)</p></blockquote>
<p><strong>Em nome da liberdade<br />
</strong></p>
<p>Outro ponto alto do livro é a defesa radical que Bucci faz da liberdade, para ele um valor inegociável. Homem de esquerda, o autor não é um liberal clássico, como afirma Lins da Silva em sua resenha da Folha – se fosse, não haveria nenhum problema, mas essa é uma afirmação falsa.</p>
<p>No capítulo &#8220;Um caso de bem-estar entre o presidente e a empresa&#8221;, Bucci recupera sua trajetória de militante iniciada no movimento estudantil, durante a ditadura militar, para demonstrar que sempre foi integrante de uma corrente de pensamento que via como &#8220;falso dilema&#8221; a oposição entre liberdade e igualdade. Em seu raciocínio, a liberdade é uma causa universal, &#8220;mais que burguesa, mais que liberal&#8221;. Uma defesa libertária.</p>
<blockquote><p>&#8220;Entre janeiro de 2003 e janeiro de 2007, quando pude conversar com o presidente da República sobre imprensa, falei como um liberal convicto, embora o liberalismo não tenha sido propriamente a minha escola. A bandeira da liberdade pertence a todos, não apenas aos liberais que gostam de ostentar pedigree. Não há outro caminho: é preciso cultivar e cultuar incondicionalmente a imprensa livre, ou melhor, a imprensa, sem adjetivos – se ela não é livre, não é imprensa. Sem medo de excessos retóricos, digo que só ela pode iluminar a casa da liberdade.&#8221; (Idem, pág. 225-226)
</p></blockquote>
<p>Ao empunhar a bandeira da liberdade, pressuposto para a existência e efetivação do direito à informação, Bucci apontou um novo caminho para a comunicação pública, tema que sequer figurava na agenda da democracia brasileira quando ele acordou presidente da estatal Radiobrás, cinco anos atrás. A guerra empreendida contribuiu para modificar esse cenário. No início do segundo mandato de Lula, se discutiu comunicação pública como jamais. Em Brasília, 19 horas é mais uma contribuição a esse debate, que ainda está longe de terminar.</p>
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		<title>Um papo confuso sobre internet e TV</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Mar 2008 23:32:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Internet e televisão. Audiovisual. Vídeos na rede. Pode ser que nos Estados Unidos e na Europa todo mundo assista. Por aqui, não é bem assim, mas o caminho sinuoso avança por essa vereda.
Tenho pensado, por vários fatores, em vídeo digital (conteúdos audiovisuais produzidos em 0s e 1s). Esse é um papo, pelo que percebi, confuso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Internet e televisão. Audiovisual. Vídeos na rede. Pode ser que nos Estados Unidos e na Europa todo mundo assista. Por aqui, não é bem assim, mas o caminho sinuoso avança por essa vereda.</p>
<p>Tenho pensado, por vários fatores, em vídeo digital (conteúdos audiovisuais produzidos em 0s e 1s). Esse é um papo, pelo que percebi, confuso e controverso, porque várias categorias se misturam. Um mundo.</p>
<p>É bem provável que esse cenário permaneça assim até que tenhamos a tão falada e almejada convergência – que eu imagino, será integralmente por meio da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo_de_Internet">tecnologia IP</a>. Mas não arriscaria nada, considerando a velocidade das mudanças. O tempo é de confusão mesmo. De incunábulos, como diz a Janet Murray, em <a href="http://www.cronopios.com.br/site/resenhas.asp?id=1212"><em>Hamlet no Holodeck</em></a> (aliás, alguém aí já leu esse livro?)</p>
<p>Mesmo assim, vou tentar organizar algumas idéias aqui. É o princípio de uma conversa, talvez mais divertida se regada a psicotrópicos.</p>
<p>O histórico desse debate aponta, fatalmente, para o <a href="http://www.youtube.com.br">YouTube</a>, o <a href="http://www.alexa.com/site/ds/top_sites?cc=BR&amp;ts_mode=country&amp;lang=none">quinto site</a> mais acessado atualmente no Brasil. Antes, muitas experiências com vídeo na internet foram desenvolvidas, mas foi depois que Chad e Steve puseram seu brinquedo no ar, em fevereiro de 2005, que a febre virótica do vídeo online se espalhou pelo planeta.</p>
<p>Claro, isso tem a ver com a difusão da banda larga e com a crescente capacidade de processamento de dados dos computadores pessoais.  Mas não só. Teve também a ver, digamos, com a <a href="http://www.facom.ufba.br/com022/tecnolog.html">dinâmica inteligente da rede</a>, que melhora a medida que mais gente dela participa. E, boom, estourou. Outros sites – até melhores (ou não) que o YouTube – fizeram (e fazem) parte desse processo, como o próprio <a href="http://video.google.com/">Google Vídeos</a>, o <a href="http://www.dotsub.com/">Dot Sub</a> ou o <a href="http://www.revver.com">The Revver</a>, entre outros.</p>
<p>A coisa, então, ganhou força. Logo, surgiram softwares que transformam seu computador em televisão. Ou também pode ser, transformam sua TV em computador.</p>
<p>De certa forma, foi uma resposta dos grandes conglomerados ao fenômeno YouTube. A <a href="http://www.bbc.co.uk/iplayer/">BBC</a>, por exemplo, apostou em desenvolver seus próprios softwares para garantir a &#8220;fidelidade&#8221; de seus usuários. Parece que não foi bem sucedida. Tem também o fenômeno da <a href="http://www.apple.com/br/appletv/">Apple TV</a>. A lista vai longe.</p>
<p>Nessa linha, as experiências mais interessantes são as que utilizam a tecnologia P2P (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P2P">Peer to Peer</a>), o que potencializa a capacidade de tráfego de dados (portanto, a velocidade, para quem quer assistir a um longo programa de TV em seu computador). O <a href="http://www.joost.com">Joost</a>, por exemplo, criado pelos caras que detonaram as empresas de telefonia com o <a href="http://www.skype.com">Skype</a>, é um deles.</p>
<p>Dessas, a que mais me agrada é o <a href="http://www.getmiro.com/">Miro</a>, do movimento <a href="http://www.getmiro.com/blog/2007/07/announing-miro/">To Keep Video Open</a>, totalmente livre e adequado à dinâmica <em>on demand </em>da internet. O problema de todos eles é que são softwares que precisam ser instalados na sua máquina. Não são softwares online.</p>
<p>As emissoras de televisão &#8220;tradicionais&#8221; seguiram se movimentando. Afinal, o YouTube forjou uma mudança cultural na forma de assistir à televisão. Algumas emissoras começaram a usar a web para atrair o público, que passou a ser, além de espectador, produtor de conteúdos. De repente, vídeos produzidos pelos usuários começaram a ir ao ar, via broadcast.</p>
<p>Nessa linha, a aposta mais radical foi coordenada pelo prêmio Nobel da Paz, Al Gore. Ele lançou, há dois anos, uma emissora chamada <a href="http://www.current.com">Current TV</a>, cuja programação é integralmente participativa. O site capta os conteúdos que são postados no site da Current e os projeta por meio de uma emissora comum. É TV e é internet.</p>
<p>No Brasil, a Editora Abril lançou projeto semelhante, quase um ano atrás, chamado <a href="http://www.fiztv.com.br">FIZTV</a>. Todo o conteúdo de programação da emissora é construído pelos interatores.</p>
<p>Mas, voltando, é preciso falar das tentativas de programações audiovisuais integralmente na internet. A tecnologia que permite ao caboclo ou à cabocla assistir a um determinado arquivo pela internet enquanto faz o download para a sua máquina é conhecida como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Streaming">streaming</a>. Na época das conexões lentas, uma das pioneiras em levar a televisão para a internet, no Brasil, foi a <a href="http://alltv.ig.com.br/main/_site/index.php">AllTV</a>.</p>
<p>Parecia uma loucura, e naquele momento efetivamente era (porque ninguém tinha máquina nem banda para baixar os arquivos com qualidade e velocidade), mas nos últimos anos começou a ser possível oferecer vídeo em tempo real para bastante gente, com boa qualidade. E agora existem milhares de soluções para realizar esse tipo de serviço. Valia um post a parte.</p>
<p>Essa tecnologia se mostra mais interessante quando quem exibe detém uma programação &#8220;fechada&#8221;, ou seja, mais dentro da lógica do broadcast (um programa na seqüência do outro). Também é ótima para transmissões ao vivo (um show, um debate, uma palestra).</p>
<p>Já existem sites que oferecem facilidades para se desenvolver streaming, o que pode permitir a cada indivíduo ter a sua própria emissora no ar, em tempo real. Desses, o maior é o <a href="http://www.ustream.tv">Ustream</a>.</p>
<p>Agora, tem até uns americanos radicados na Argentina anunciando a primeira programadora de conteúdos High Definition (HD) para internet. Chama-se <a href="http://www.mariposahd.tv/">Mariposa</a> e eles utilizam <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/BitTorrent">BitTorrent</a> nessa brincadeira. Esses caras acreditam que o entretenimento vai se redefinir, que não adianta produzir para a televisão mais, que é preciso produzir e disponibilizar na rede e cada um assiste do jeito que quiser. Pode ser.</p>
<p>Mas eu prefiro parar por aqui. Porque, de fato, estou bem confuso.</p>
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