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	<title>Rodrigo Savazoni &#187; cultura</title>
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		<title>Remixofagia &#8211; Alegorias de uma Revolução</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 02:13:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Remixofagia &#8211; Alegorias de uma revolução from FLi Multimídia on Vimeo.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vimeo.com/24172300">Remixofagia &#8211; Alegorias de uma revolução</a> from <a href="http://vimeo.com/flimultimidia">FLi Multimídia</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
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		<title>Sobre o Momento Digital</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 02:10:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Texto originalmente publicado na Revista Zona Digital
O teórico do ciberespaço Howard Rheingold afirma em seu livro Smart Mobs (Multidões inteligentes), ainda não traduzido para o português, que, do ponto de vista tecnológico, nosso mundo vem se transformando não pela ação dos líderes industriais estabelecidos (como já ocorrera com o surgimento da internet e dos computadores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto originalmente publicado na <a href="http://zonadigital.pacc.ufrj.br/reflexoes-criticas/sobre-o-momento-digital/">Revista Zona Digital</a></p>
<p>O teórico do ciberespaço Howard Rheingold afirma em seu livro Smart Mobs (Multidões inteligentes), ainda não traduzido para o português, que, do ponto de vista tecnológico, nosso mundo vem se transformando não pela ação dos líderes industriais estabelecidos (como já ocorrera com o surgimento da internet e dos computadores pessoais), mas pela força de “pequenos grupos de jovens empreendedores e de associações de aficcionados”. Aliás, Rheingold, nessa passagem, reforça: “sobretudo por meio de associações de aficcionados”.</p>
<p>Também não é por meio dos líderes estabelecidos e das forças tradicionais que a política se reinventa e se reforça, mas sim pela ação de grupo de “jovens realizadores”, cujo objetivo é a construção de novos territórios para as causas comuns. No Brasil, são justamente esses “jovens realizadores”, ativistas conectados à internet, os arquitetos dos movimentos sociais do século 21. Por meio de projetos democráticos e métodos provocativos, esses agrupamentos contemporâneos estão confrontando forças estabelecidas de nossa sociedade e já fazem algum barulho.</p>
<p>Uma característica (1) desse movimento é que ele provém de articulações cuja origem não está nas estruturas partidárias, sindicais ou mesmo nos movimentos sociais  surgidos nas três décadas anteriores (como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST – ou mesmo as grandes associações de lutas por direitos humanos e sociais – como Ibase ou Ação Educativa, para ficar em apenas dois exemplos). São, acima de tudo, forças articuladas em rede, com forte influência do uso das novas tecnologias de informação e comunicação, que nem sequer podem ser chamadas de “organizações”.</p>
<p>Outro aspecto importante (2) é que são grupos que não se prendem a filiações ideológicas rígidas. Sua marca é a ação. São ideólogos da prática. Pode-se tentar compreendê-los buscando referências na esquerda libertária, de onde provém muitos dos princípios dessas articulações, mas boa parte de seus participantes não se furta a saquear métodos e símbolos extraídos da cultura corporativa. Há uma forte conexão com o altermundismo, o movimento por uma outra globalização que se espraiou no final dos anos 1990 e no início da primeira década do século 21, tendo nos Dias de Ação Global e no Fórum Social Mundial seus grandes momentos de reunião e expressão,  mas somente essa filiação não explica o que está ocorrendo.</p>
<p>Se aproximarmos nossa lupa, cresce a imagem da cultura digital, que, conforme nos explica o professor André Lemos, da Universidade Federal da Bahia, se forja a partir do surgimento da internet e da popularização da microinformática, processos iniciados no final dos anos de 1970. Essa cultura ganha impulso adicional e assume sua forma mais visível com a aparição da web, nos anos 1990. Trata-se de uma cultura baseada na recombinação e na colaboração que se alastrou pelo planeta e produziu um curto-circuito no comportamento, na economia, nas artes, na mídia e, evidentemente, na política.</p>
<p>A percepção dessas transformações, com a massificação das tecnologias, só faz crescer. Com suas ferramentas digitais, esses “jovens realizadores” não só descrevem a realidade, mas acima de tudo transformam-na. Técnica e política, neste debate, jamais podem ser observadas em separado.</p>
<p>Por fim (3), outra característica da articulação desses “jovens realizadores” tecnológicos é a busca pela radicalização da política e da democracia, que vêm sendo paulatinamente aprisionadas pelos interesses econômicos e pela vacilações do representantes políticos tradicionais. Portanto, não se trata de um movimento de negação da política, mas de confrontação das estruturas e dos representantes desse mundo caduco.</p>
<p><strong>Expoentes da transformação em curso</strong></p>
<p>Destaco três redes como aquelas que são os expoentes do que descrevi acima. A rede Transparência Hacker, a rede Metareciclagem e a rede Fora do Eixo. Na sequencia, faço uma rápida descrição das três, para que posteriormente possamos avançar no debate.</p>
<p>A Transparência Hacker (1) é uma comunidade formada por ativistas, jornalistas, programadores e gestores públicos que conta com cerca de 800 membros em sua lista de discussão[1]. Essa rede conta com apoio do escritório brasileiro do W3C, a instituição criada por Tim Berners Lee para manter a world wide web (www) aberta e livre.</p>
<p>De acordo com Daniela Silva, da Esfera e da Casa da Cultura Digital, uma das principais articuladoras da rede, não existem regras prévias para participar da #THacker, mas sugere que a “colaboração, liberdade, autonomia, ética hacker, abertura para formas novas de agir e de pensar sobre o mundo, valores políticos emergentes e mutáveis (ou mutantes) e um certo gostinho pela provocação” são as principais características do movimento. Como está escrito na página do coletivo na internet, interessam “ideias e projetos que utilizem a tecnologia para fins de interesse da sociedade” e sua vocação específica é exigir a abertura dos dados governamentais. Ou seja, os ativistas querem que o estado, na era da informação, compartilhe com os cidadãos suas informações, o que por si só se constitui em uma forma de compartilhar poder.</p>
<p>A rede Metareciclagem (2) é pioneira desse movimento, tendo surgido no contexto do Fórum Social Mundial. Sua lista, que pode ser acessada por meio do site http://www.metareciclagem.org está ativa há oito anos. De acordo com Felipe Fonseca, um dos articuladores desse coletivo, “a metareciclagem é mais um foco de potência de ação política – porque as pessoas trocam entre si – do que uma instância política autônoma, que tenha uma coerência”. No início da política pública dos Pontos de Cultura, muitos dos ativistas desse coletivo trabalharam na elaboração do que viria a constituir os Kits Multimídia e a ação cultura digital, cujo objetivo é promover a criação tecnológica utilizando ferramentas livres. Fonseca é autor do livro Laboratórios do Pós-Digital, disponível para download no endereço http://efeefe.no-ip.org/livro/laboratorios-pos-digital, no qual apresenta muitas das questões centrais da reflexão da Metareciclagem.</p>
<p>O (3) Fora do Eixo (www.foradoeixo.org.br), por sua vez, é uma rede de coletivos de produção cultural que está presente em todos os estados do Brasil. Iniciada em 2005, por meio de uma parceria entre produtores das cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR), a rede foi crescendo e hoje é tida como a principal força político-cultural surgida no país nos últimos anos. Somente no ano passado, mais de 5 mil bandas circularam por meio das ações dos coletivos que integram essa rede. A partir das articulações por eles lideradas, foram promovidas ações como a criação da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin)[2], e a criação do Partido da Cultura[3], que vem buscando interlocução com a classe política tradicional sobre questões de interesse das novas gerações, e as Marchas da Liberdade[4], movimento que este ano levou às ruas de várias cidades militantes em defesa das liberdades. Entre as inúmeras inovações introduzidas por esse coletivo de coletivos, está a de utilizar a economia solidária para construir relações sociais diferenciadas entre sua rede de produtores e ativistas.</p>
<p><strong>Política Tropicalista</strong></p>
<p>Descritos os exemplos que nos interessam, podemos prosseguir.</p>
<p>Durante os oito anos de governo Lula, esses “jovens realizadores”, adeptos de novas formas de fazer política, foram co-gestores de políticas públicas. Isso ocorreu especialmente no Ministério da Cultura, instituição que se apresentou como importante indutor do crescimento dos coletivos, dando a eles o reconhecimento institucional que, em geral, articulações de perfil libertário não recebem.</p>
<p>Essa configuração, porém, não foi especificidade da Cultura, posto que o diálogo entre os ativistas e o governo federal daqueles tempos propiciou: 1. as ações em defesa do software livre (que é a matriz ideológica de boa parte dos movimentos políticos e sociais em rede); 2. as políticas públicas em favor do compartilhamento do conhecimento, como o programa Cultura Viva (dos Pontos de Cultura), a defesa da reforma da Lei de Direitos Autorais (LDA), além de um conjunto de iniciativas mais pontuais, como o diálogo com a blogosfera, os Pontos de Mídia Livre e a rede CulturaDigital.Br; 3. a proposição de um Marco Civil de direitos dos cidadãos digitais pelo Ministério da Justiça, legislação elaborada de forma aberta e compartilhada (veja o site www.culturadigital.br/marcocivil).</p>
<p>Conforme afirma Hermano Vianna, em Políticas da Tropicália:</p>
<p>“Talvez os softwares livres do ministro Gilberto Gil criem um ciberespaço onde o espírito tropicalista se reproduza em inteligências artificiais e virtuais, na periferia de um novo império americano que o rock amado com tanto custo por determinados jovens baianos dos anos 60 nem sequer podia imaginar”.</p>
<p>Hermano utiliza neste texto, escrito há alguns anos, a expressão “talvez”, porque sabia que a reação de setores privilegiados pelas políticas de estado não tardaria a ocorrer.  Atualmente, essa delicada relação entre os “novos agentes” e o governo popular” está escorrendo pelos dedos. O portal rumo ao desconhecido que se abriu durante o governo Lula, a nova gestão do Ministério da Cultura de Dilma Rousseff – e sua mudança de orientação – fechou. Com Luiz Inácio Lula da Silva e Gilberto Gil havia-se aberto um trilha de transformações profundas, no plano da existência e dos símbolos, que abalou estruturas. Aqueles que sempre foram privilegiados e entre 2003 e 2010 foram confrontados reagiram, organizando um movimento de reconquista que conta com a aderência de parte da esquerda tradicional.</p>
<p>O recorte tropicalista das políticas culturais, com sua opção de fomento das dissidências e estímulo às bordas do sistema (ou mesmo por aqueles que só se divisa a partir de dobras) – que é, conforme a citação de Rheingold no início deste texto, onde a inovação reside, o caldo da transformação entorna e a vida parece poder superar o capital – tornou-se contraditoriamente foco da ira dessa estranha aliança entre setores da esquerda e do empresariado da comunicação e da cultura. Esse movimento – é bom lembrar – não é privilégio do Brasil, mas sim uma reação global[5] à cultura digital.</p>
<p><strong>Em busca de uma democracia biopolítica</strong></p>
<p>É preciso mais uma vez reforçar: a essência dos movimentos da cultura digital provém do software livre. No início dos anos 1980, um grupo de engenheiros liderados por Richard Stallman criou a Free Software Foundation (FSF), organização com o objetivo de defender a colaboração e o compartilhamento quando os softwares começavam a se tornar instrumentos de enorme ganho financeiro. Para maximizar seus vencimentos, as empresas de tecnologia começaram a adotar patentes e mecanismos de proteção de propriedade intelectual, contrariando assim a essência do desenvolvimento científico, que é baseado na evolução a partir do conhecimento acumulado.</p>
<p>Para “amarrar” a liberdade de compartilhar ao modelo de licenciamento, a FSF criou um modelo alternativo (a licença GPL), que passou a ser utilizada pelos desenvolvedores no mundo todo. Essa ação, aparentemente técnica, embutia um confronto político que cresceria desde então: o da luta contra a propriedade na era do conhecimento.</p>
<p>É justamente essa visão de superação da propriedade privada que constitui o diferencial do movimento de cultura digital[6]. Era essa visão que estava a nortear as políticas públicas desenvolvidas durante o governo Lula. Uma construção que poderia apontar para  uma democracia biopolítica, nos termos que propõe Peter Pál Pelbart, com base nos escritos de Deleuze, Foucault, Negri, Lazzaratto, Agamben, entre tantos outros pensadores contemporâneos que atualizam nossa compreensão do mundo.</p>
<p>Peço licença para uma citação do livro Vida Capital, de Peter Pál Pelbart:</p>
<p>“Podemos retomar nosso leitmotiv: todos e qualquer um, e não apenas os trabalhadores inseridos em uma relação assalariada, detêm a força-invenção, cada cérebro-corpo é fonte de valor, cada parte da rede pode se tornar vetor de valorização e de autovalorização. Assim, o que vem à tona, com cada vez maior clareza é a biopotência do coletivo, a riqueza biopolítica da multidão. É esse corpo vital coletivo reconfigurado pela economia imaterial das últimas décadas que, nos seus poderes de afetar e ser afetado e de constituir para si uma comunialidade expansiva, desenha as possibilidade de uma democracia biopolítica”.</p>
<p>Essa capacidade de reinventar o viver, que está na essência do confronto biopolítico, vejo explícita em dissidentes como o Transparência Hacker, o Metareciclagem e o Fora do Eixo. Como são projetos distintos, de formação distinta, ainda que com muitos pontos de conexão, evidentemente que não caberia analisá-los por igual, mas se há algo que é comum a todos eles é o permitir novas “formas de viver”, constituindo-se como agentes  fundamentais no processo de construção dessa “democracia biopolítica”. Daí que, se estamos falando de políticas de esquerda, estimulá-los é uma obrigação.</p>
<p>Fato é, portanto, que algumas questões só poderão ser respondidas se compreendermos que a inovação cultural passa por esses “jovens realizadores”. Mais que de uma investigação aprofundada sobre o papel desses coletivos – algo extremamente necessário[7] – temos necessidade de políticas que os fomente e fortaleça. Era isso que vinha ocorrendo no governo Lula e que com Dilma parece ter perdido o passo[8]. A presidente parece não ter percebido que o investimento nos “jovens realizadores” pode ser o diferencial do Brasil.</p>
<p>Para discutir essas questões, as redes e coletivos estarão presencialmente em contato na<a href="http://www.culturadigital.org.br"> terceira edição</a>  do Festival CulturaDigital.Br (que no início foi chamado de Fórum da Cultura Digital Brasileira). O evento será realizado entre os dias 2 e 4 de dezembro, no Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna e no Odeon, com patrocínio da Petrobras e apoio da Secretaria Estadual de Cultura. Quando ainda se chamava Fórum, esse evento, que acima de tudo é um processo de construção política, por meio do diálogo em rede, foi realizado a partir de uma articulação da sociedade civil organizada e o Ministério da Cultura. Seu objetivo inicial era ser um espaço de elaboração colaborativa de políticas culturais para o Século 21, o século das redes, da informação, da produção pós-industrial.</p>
<p>Atualmente, o Festival CulturaDigital.Br almeja ser um espaço de encontro dos novos realizadores, produtores e ativistas que operam na intersecção entre cultura, política e tecnologia, promovendo inovações. A edição passada foi uma grande arena de contatos e encontros que vêm reverberando desde então. Este é o momento digital.</p>
<p>[1] https://groups.google.com/group/thackday?hl=pt</p>
<p>[2] http://www.abrafin.com.br/</p>
<p>[3] http://partidodacultura.blogspot.com/</p>
<p>[4] http://www.marchadaliberdade.org/</p>
<p>[5] Na Espanha, a lei Sinde-Zapatero permite desconectar internautas que “violem” direitos autorais; na França, a lei Hadopi abriu caminho para criminalizar quem compartilha músicas, na Inglaterra, diante dos protestos dos jovens, que se articulam em redes, o premiê propõe a desconexão, no Egito, na Tunísia, na Líbia, em todo o norte da África, computadores (re)agem…</p>
<p>[6] Para não ser acusado de tecnoutópico, registro que o capital se propaga com força por meio das redes, e que a colonização da vida por meio das tecnologias ocorre. No entanto, o fito desta nota é justamente demonstrar que não existe resistência e superação ao capital fora desse combate no plano das subjetividades.</p>
<p>[7] Vale destacar a tese de doutoramento de Hernani Dimantas, na Universidade de São Paulo, sobre o Metareciclagem, trabalho executado por um pesquisador que é também um dos mais importantes articuladores dessa rede.</p>
<p>[8] O recente artigo do Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, “As Razões do Diálogo com os Hackers” parece apontar para uma nova abertura governamental para políticas de fomento às dissidências: http://www.trezentos.blog.br/?p=6224</p>
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		<title>Lançamento do meu livro no Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 22:08:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Convite CD por Rodrigo Savazoni, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/savazoni/3863310286/"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3485/3863310286_ce5d059e2b.jpg" alt="Convite CD" width="500" height="355" /></a></p>
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		<title>Em transe: A web imita a vida</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 18:54:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As redes sociais, ou sites de redes sociais, são uma febre &#8211; e para muitas pessoas &#8211; a única coisa que existe na internet
O ativista Cláudio Prado, presidente do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, narra um episódio ocorrido com ele em uma favela. Ao ministrar uma oficina sobre novas mídias, perguntou aos 30 meninos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>As redes sociais, ou sites de redes sociais, são uma febre &#8211; e para muitas pessoas &#8211; a única coisa que existe na internet</em></p>
<p>O ativista Cláudio Prado, presidente do <a href="http://www.augustasenergiasutopicas.net">Laboratório Brasileiro de Cultura Digital</a>, narra um episódio ocorrido com ele em uma favela. Ao ministrar uma oficina sobre novas mídias, perguntou aos 30 meninos e meninas participantes quantos acessavam a internet: 22 levantaram a mão. Na sequência, perguntou quantos usavam <a href="http://www.orkut.com">Orkut</a>: 26 se manifestaram. No Brasil, a impressão que passa é a de que as redes sociais são maiores que a própria rede mundial de computadores. Mais de 50% dos perfis criados no Orkut são “brasileiros”.</p>
<p>Mas o que é uma rede social? Segundo danah boyd, estudiosa do tema e consultora de grandes empresas do mundo, um site de rede social tem três características: 1) permitir ao usuário construir um perfil; 2) articular uma lista de amigos e conhecidos; e 3) visualizar e cruzar sua lista de amigos com os seus associados e com outras pessoas dentro do sistema. O Orkut é o grande fenômeno, mas há outros casos.</p>
<p>No <a href="http://www.dosgter.com">Dogster </a> ou no <a href="http://www.catster.com">Catster</a>, donos de bichos de estimação constroem os perfis de seus animais e trocam informações. O <a href="http://www.mychurch.org">MyChurch</a> reúne igrejas, paróquias e fiéis e conecta pessoas que compartilham da mesma fé &#8211; aqui acontecem até cultos.</p>
<p>Há também opções, por assim dizer, mais mórbidas, como o <a href="http://alwaysberemembered.co.uk">Always be Remembered</a> e o <a href="http://www.gonetoosoon.org">Gone too Soon</a>. As duas mantêm perfis de pessoas que morreram, criados por amigos e familiares.</p>
<p>Nos primórdios, as redes sociais foram pensadas para aproximar pessoas que não se conheciam. Logo, percebeu-se que seriam muito mais úteis se trouxessem para o mundo virtual as relações já existentes fora da web (laços consolidados). Foi assim que o <a href="http://www.friendster.com">Friendster</a>, rede pioneira em sucesso, se consolidou, nos idos de 2002.</p>
<p>No entanto, nos últimos anos, temos visto a volta de redes mais focadas, como as que citei anteriormente ou como a <a href="http://www.linkedin.com">LinkedIn</a>, dedicada a currículos e ao gerenciamento de contatos profissionais.</p>
<p>De tudo o que vi até agora &#8211; e estou sempre rastreando novos exemplos -, a mais diferente foi a <a href="http://www.muslima.com">Muslima</a>, redepara acerto de casamentos entre muçulmanos, criada pela equipe da <a href="http://www.cupidmedia.com">Cupidmedia</a>. Como não consegui entrar, não descobri se são as próprias pretendentes que participam ou os seus pais.</p>
<p>A web imita a vida. Quer se organizar politicamente? Namorar? Encontrar um emprego? Publicar vídeos, fotos, jogar on-line ou homenagear alguém que já se foi? Todos os caminhos levam a uma rede social.</p>
<p><strong>Ouça música</strong></p>
<p> Blip FM (www.blip.fm), Last FM () e AccuRadio (www.accuradio.com).</p>
<p>O <a href="http://www.myspace.com">MySpace</a> poderia estar na outra lista, pois é um dos sites mais vistos do planeta e também funciona como uma rede social normal, completa, como Orkut ou <a href="http://www.facebook.com">Facebook</a>. Mas o legal mesmo ali é fuçar na área de música, na qual estão disponíveis perfis de bandas e cantores, dos grandes sucessos aos notórios anônimos. A <a href="http://www.last.fm">LastFM</a> reinava absoluta no universo das rádios colaborativas, em que era possível criar uma programação e ser ouvido pelos seus amigos, até surgir a <a href="http://www.blip.fm">Blip.FM</a>, que é uma ferramenta de brincar de DJ e recomendar canções muito divertida.</p>
<p><strong>As maiores</strong><br />
<a href="http://www.orkut.com">Orkut</a>, <a href="http://www.facebook.com">Facebook</a>, <a href="http://fr.skyrock.com">Skyrock</a>, <a href="http://us.cyworld.com">Cyworld</a>, <a href="http://www.bebo.com">Bebo</a>, <a href="http://www.hi5.com">Hi5</a></p>
<p>Líderes de mercado, essas redes são muito parecidas entre si. Oferecem, quase todas, as mesmas funcionalidades. A CyWorld<a href="http://us.cyworld.com">Cyworld</a> é mais utilizada em países asiáticos, como a Coreia, onde surgiu, e a China. O <a href="http://fr.skyrock.com">Skyrock</a> é o terceiro site mais acessado na França (os franceses têm sempre de ter seu próprio produto). A &lt;a href=&quot;<a href="http://www.hi5.com">Hi5</a>&#8220;&gt;Hi5</a> bombou em países hermanos e recentemente chegou mais forte ao Brasil. A <a href="http://www.bebo.com">Bebo</a> foi durante um bom tempo uma rede quase exclusiva do Reino Unido. <a href="http://www.facebook.com">Facebook</a> é, de todas elas, a mais mundial, a mais “intelectual” e a mais internacional.</p>
<p><strong>Legais ou ilegais</strong></p>
<p>Barack Obama criou uma rede e usou-a para mobilizar a juventude durante sua campanha. Tornou-se presidente. Resta saber se vai barrar no Congresso americano o projeto de lei que propõe impedir o acesso a sites de redes sociais em escolas e bibliotecas públicas. Tomara que ele não siga o exemplo do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Durante a campanha, Kassab criou a K25, uma rede social para organizar seus correligionários. Mas, no mesmo período, assinou um decreto que impede o acesso ao Orkut e a outras redes nas escolas da maior cidade brasileira. Para o político brasileiro, rede social boa é a dele.</p>
<p><strong>Crie a sua</strong><br />
Se nada agradou, vá ao site do <a href="http://www.ning.com">Ning</a> e crie a sua rede social, sobre o tema que quiser. Geralmente, as redes criadas no Ning são menores. Elas são um ótimo substituto para o grupo de e-mails e trazem as mesmas funcionalidades que as melhores redes sociais da web.</p>
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		<title>Ainda sobre o nerdismo na Campus Party</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jan 2009 16:01:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Carlos Carlos, video-ativista, criador do programa Bola e Arte, e repórter da Fiz TV, filmou de forma privilegiada (no primeiro vídeo que publiquei é possível identificá-lo em cima do palco) o embate entre os nerds e De Leve, um dos eventos dispensáveis da Campus Party.
O realizador entrevistou longamente De Leve e Chupa, o nerd que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carlos Carlos, video-ativista, criador do programa <a href="http://fiztv.uol.com.br/f/Usuario/index/6078">Bola e Arte</a>, e repórter da <a href="http://www.fiztv.com.br">Fiz TV</a>, filmou de forma privilegiada (no primeiro vídeo que publiquei é possível identificá-lo em cima do palco) <a href="http://www.savazoni.com.br/?p=170">o embate entre os nerds e De Leve</a>, um dos eventos dispensáveis da Campus Party.</p>
<p>O realizador entrevistou longamente <a href="http://dicamelim.blogspot.com/">De Leve</a> e Chupa, o nerd que tentou tirar o músico do palco à força. Neste vídeo que republico abaixo ele desnuda a origem do nerdismo. As cenas são auto-explicativas, mas vale destacar o choque de classes patente no discurso de um e outro.</p>
<p>Aproveite e veja também <a href="http://fiztv.uol.com.br/f/Usuario/index/6078">o Bola e Arte</a></p>
<p>PS &#8211; Em seu blog, De Leve afirma que não foi tirado do palco, que fez o show até a última música. Fica a correção. As imagens, da forma como foram editadas, e a fala da músico que se ouve no filmete (alegando que pretendia encerrar o show para não causar mais confusão), dão a entender que o show terminou antes do previsto.</p>
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		<title>11 de setembro</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 23:44:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Faz sete anos vi você cair diante dos meus olhos. Eu não sabia que tudo seria diferente desde então, que um novo ciclo de minha vida teria início.
Seu corpo parecia leve, a flutuar ao sabor do vento vitimado pela gravidade. Não parecia, de onde eu via, que aquele vôo frágil poderia mudar o tempo.
De uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faz sete anos vi você cair diante dos meus olhos. Eu não sabia que tudo seria diferente desde então, que um novo ciclo de minha vida teria início.<br />
Seu corpo parecia leve, a flutuar ao sabor do vento vitimado pela gravidade. Não parecia, de onde eu via, que aquele vôo frágil poderia mudar o tempo.<br />
De uma certa mirada, era apenas um corpo caindo rapidamente, em sua inexorável trajetória rumo ao chão. Eu estava tão longe, mas me sentia próximo.</p>
<p>De toda forma, a distância me impediu de lhe dizer adeus. Eu já devia ter superado, pois faz sete anos que vi você cair.<br />
Não consigo.<br />
Porque não foi só o seu corpo que caiu. O meu também se esbarrochou, partindo-se.<br />
Porque, não sei se você sabe, seu corpo leve germinou novos tiranos e causou uma guerra.<br />
Apenas o seu corpo, porque jamais soube o seu nome. Jamais revelaram seu nome. Apenas exibiram o seu corpo, em queda livre.</p>
<p>Seu corpo era também, contraditoriamente, a face de um mundo que deixou de existir exatamente quando você chegou ao chão e se misturou aos destroços, ao entulho, ao concreto, ao vidro, ao aço, ao sangue, aos outros pedaços de corpos, aos restos daquele prédio e daquele avião.</p>
<p>Aquele avião que trombou com o prédio, criou o fogo, destruiu o prédio e que fez, você, corpo, pular. 
<p><a href='http://flimultimidia.com.br/rodrigo-savazoni/files/2008/09/corpo.jpg' title='corpo'><img src='http://flimultimidia.com.br/rodrigo-savazoni/files/2008/09/corpo.jpg' alt='corpo' /></a></p>
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		<title>Obama lá e nós aqui</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 16:27:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
				<category><![CDATA[comunicação]]></category>
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		<description><![CDATA[Há um ano, Barack Obama era apenas um senador em primeiro mandato, negro e jovem, que aspirava concorrer à vaga de candidato a presidente da maior potência do planeta pelo partido democrata. Seus adversários, muito mais poderosos, como o senador John Edwards e a senadora Hillary Clinton, não o colocariam como principal adversário. Para compensar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há um ano, Barack Obama era apenas um senador em primeiro mandato, negro e jovem, que aspirava concorrer à vaga de candidato a presidente da maior potência do planeta pelo partido democrata. Seus adversários, muito mais poderosos, como o senador John Edwards e a senadora Hillary Clinton, não o colocariam como principal adversário. Para compensar essa diferença, Obama investiu em um discurso enfático de mudança, baseado no bordão &#8220;Sim! Nós Podemos!&#8221; (Yes, We can!) e na rede mundial de computadores. Por isso, venceu as prévias, e agora enfrenta o republicando John McCain para chegar à Casa Branca.</p>
<p>Obama já é o exemplo mais bem-sucedido de uso da internet para fins político-eleitorais. Em &#8220;A Conexão Obama&#8221;, artigo publicado no The New York Times de 26 de maio, o analista Roger Cohen explica esse fenômeno: &#8220;É a rede, estúpido!&#8221;. A frase é uma adaptação livre da citação de James Carville, papa do marketing político que trabalhou na campanha de Bill Clinton e cunhou a expressão &#8220;É a economia, estúpido!&#8221;, norteadora da estratégia bem-sucedida que resultou na vitória de Clinton sobre Bush pai. Obama é sedutor, um grande orador, um sujeito com uma trajetória irrepreensível. Não fosse a internet, porém, ele nada seria.</p>
<p>Para sustentar a tese, Cohen reproduz dados citados por Joshua Green, na The Atlantic. Obama teve 1.276.000 doadores em sua campanha, 750.000 voluntários ativos e 8.000 grupos de afinidade. &#8220;Em fevereiro, quando a campanha arrecadou 55 milhões de dólares (45 milhões via Internet), 94% das doações apresentaram valores menores que 200 dólares&#8221;. São números sem precedentes na história humana. Para efeito de comparação, a planilha de doações do presidente Lula na última eleição, incluindo pessoas físicas, jurídicas, comitês regionais, entre outros itens, tem 1.599 itens. No processo, o Partido dos Trabalhadores (PT) arrecadou R$ 81 milhões.</p>
<p>Como um vírus, o candidato foi se espalhando pelo ciberespaço, que se transformou no ponto de encontro de uma geração inteira, insatisfeita e envergonhada com os descaminhos promovidos por Bush Filho. E essa geração resolveu disputar com seus pais e avós o futuro da nação, usando a seu favor o arsenal democrático de comunicação surgido nos anos 90.</p>
<p>O site de Obama, por exemplo, é uma grande rede social, onde os eleitores trocam informações entre si. O candidato acompanha e usa isso em seu benefício. Nada de notícias ou informações de cima para baixo. O segredo é a interação permanente.</p>
<p>Seus assessores e apoiadores usam o You Tube (para vídeos), Twitter (para mensagens instantâneas), mantém comunidades em sites de relacionamento como Orkut, Facebook e MySpace, conversam diretamente com eleitores por mensageiros instantâneos, como Mesenger ou Google Talk. Tudo de legal que está disponível na rede não lhes é estranho.</p>
<p><strong>Enquanto isso, em Pindorama&#8230;</strong></p>
<p>Essa história, no entanto, não seria possível no Brasil, por causa do Tribunal Superior Eleitoral, órgão que disciplina o processo eleitoral no país. Em março, o TSE editou uma resolução, de número 22.718, assinada pelo ministro Ari Pargendler, para tratar de eleições e internet. Com ela, criou uma baita confusão. A norma tem vários pontos criticáveis. O principal deles é enquadrar a internet como mídia eletrônica de massa. Ou seja, como rádio ou televisão, coisa que ela não é nem nunca foi (para ficar só num aspecto, rádio e TV são concessões do Estado, site não).</p>
<p>Outro aspecto incompreensível da lei é o artigo que impõe a cada candidato a prefeito ou vereador o limite de ter um único site &#8220;de propaganda&#8221; na rede. A idéia dos magistrados seria garantir o &#8220;equilíbrio&#8221; na disputa eleitoral. Objetivo nobre, que corresponde ao que se espera dessa instituição da democracia brasileira. No entanto, com isso, conseguiram fazer justamente o contrário.</p>
<p>&#8220;O que a Justiça deveria garantir era a isonomia de espaço e o controle do poder econômico e estatal. Para tanto é necessário disciplinar o uso da TV, das rádios e da imprensa. Mas, esta isonomia de espaço existe na Internet. Os candidatos utilizando ferramentas gratuitas estão em maior equilíbrio&#8221;, avalia o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, autor de vários livros sobre internet e cidadania e uma das primeiras vozes da rede a se levantar contra a legislação.</p>
<p>Lá atrás, quando a resolução foi publicada, alguns setores da sociedade protestaram. Outros, incrédulos, achavam que seria mais uma dessas &#8220;leis que não pegam&#8221;. Mas ela pegou.</p>
<p>A primeira vítima do processo foi o candidato à prefeitura do Rio de Janeiro Fernando Gabeira (onde uma contra-resolução do Tribunal Regional Eleitoral tentou amenizar a decisão dos togados de Brasília e permitiu o uso do Orkut e do You Tube, por exemplo).</p>
<p>O ex-guerrilheiro, atual candidato pelo Partido Verde, entrou na disputa depois de um processo de mobilização inspirado pela &#8220;Conexão Obama&#8221;. Futuros eleitores começaram a se organizar na internet e a criar comunidades, em sites de relacionamento e blogs. Um dos idealizadores dessa mobilização foi o blogueiro Pedro Dória, vencedor do Bob Awards como o melhor do Brasil em 2005.</p>
<p>No final de maio, o candidato Gabeira foi notificado pela justiça. Ou tirava do ar todas as &#8220;propagandas&#8221; indevidas ou corria o risco de ter sua candidatura cassada. Ele correu atrás de Dória, que retirou o banner que estava publicado em seu blog (www.pedrodoria.com.br) e colocou no lugar uma tarja: &#8220;censurado&#8221;. Um processo de varredura teve início.</p>
<p>&#8220;Nenhum político paga por este banner. É uma declaração de voto pessoal de minha parte. O banner leva a um argumento pela sua candidatura. É o meu direito como cidadão de manifestar o que penso, qual o caminho que desejo para minha cidade. Ninguém deve ser punido porque exerci meu direito de cidadão em uma democracia de manifestar minha opinião&#8221;, escreveu Dória no post em que informava sobre a ação da justiça.<br />
<strong><br />
Segue a disputa</strong></p>
<p>Esse foi o estopim. A lista de casos, desde então, só fez se multiplicar e tende a aumentar ainda mais com o avanço do processo eleitoral.</p>
<p>No fim de julho, outros dois candidatos a prefeito de grandes cidades foram cerceados. De coloridos políticos completamente distintos, o tucano Geraldo Alckmin e a comunista Manuela D&#8217;ávila são dois bons exemplos do que a lei em vigor é capaz de promover.</p>
<p>No caso de Alckmin, o juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1º Zona Eleitoral de São Paulo, determinou que fossem retirados do ar vídeos publicados no You Tube que estavam referenciados em seu site.</p>
<p>Para se ter uma idéia do absurdo em comparação ao que ocorre atualmente nos Estados Unidos, foi justamente por meio do You Tube que muitos eleitores tomaram parte do processo de mobilização em torno da figura de Obama. Em especial, de um vídeo produzido pelo músico do Black Eyed Peas, Will.I.Am, com participação da atriz Scarlet Johanson, no qual eles transformam um &#8220;discurso&#8221; de Obama em uma &#8220;canção&#8221;. Esse vídeo, em suas diferentes entradas no site de vídeos do Google, tem mais de 20 milhões de visualizações.</p>
<p>É certo que Alckmin e o senador americano não têm nada em comum. Mas os direitos dos eleitores de ambos os candidatos deveriam ser os mesmos.</p>
<p>Outra vítima dessa legislação anacrônica foi a jovem candidata Manuela D&#8217;ávila, jornalista de formação, que surgiu para a política justamente usando formas não convencionais de comunicação. Sua eleição para vereadora, quatro anos atrás, mobilizando jovens, a transformou num fenômeno eleitoral gaúcho.</p>
<p>Agora, ela é candidata do PCdoB à prefeitura de Porto Alegre e foi obrigada por liminar judicial a retirar do ar uma comunidade do Orkut e um vídeo do You Tube. A decisão foi tomada com base em uma representação feita pelo Ministério Público Eleitoral. A justiça, no entanto, dias depois, voltou atrás na decisão, embolando ainda mais o meio de campo desse processo.</p>
<p>Na avaliação de Amadeu, essa legislação brasileira foi elaborada para evitar que elementos sem chance no mundo dominado pelas empresas de comunicação passem a participar do jogo pelo poder. Ou seja, para evitar que uma história como a de Barack Obama ocorra por aqui.</p>
<p>&#8220;Repare que nenhum partido até agora fez um vigoroso protesto contra a Resolução do TSE. Por que? Porque o uso pleno da rede, da interatividade, do twitter, do youtube interessa somente se for para disseminar mensagens e não para interagir, para compartilhar. Pouca gente nas cúpulas partidárias brasileiras vêem com bons olhos a comunicação sem controle e o debate aberto&#8221;, afirma.</p>
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		<title>No último período, Gil foi ministro de Xangô</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Jul 2008 13:05:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[(Publicado no Estadão)
Outubro de 2007. Gilberto Gil está na Califórnia, nos Estados Unidos, para se encontrar com figurões do Vale do Silício. No Brasil, especula-se sobre sua saída do Ministério da Cultura. Gil pretende aproveitar a viagem para depositar na balança dos prós e contras razões para permanecer, ou não, no comando da pasta.
Na bandeja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Publicado no <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080731/not_imp214888,0.php">Estadão</a>)</p>
<p>Outubro de 2007. Gilberto Gil está na Califórnia, nos Estados Unidos, para se encontrar com figurões do Vale do Silício. No Brasil, especula-se sobre sua saída do Ministério da Cultura. Gil pretende aproveitar a viagem para depositar na balança dos prós e contras razões para permanecer, ou não, no comando da pasta.</p>
<p>Na bandeja do &#8220;fico&#8221;, pesam a lealdade da equipe, a crescente projeção nacional e internacional de sua figura política e a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não queria perdê-lo. No prato do &#8220;saio&#8221;, acumulam-se um calo nas cordas vocais &#8211; acostumadas a cantar, não a discursar &#8211; e a pressão da música, materializada em sua mulher e produtora Flora Gil, que desde o início do segundo mandato de Lula não escondia de ninguém querer a saída do marido.</p>
<p>Certa noite, no hotel, Gil conversa com um assessor. O telefone toca. Ao desligar, o ministro gargalha, divertido. Vira-se e diz que era Flora, uma disciplinada filha de santo. Ela acabara de voltar do terreiro e tinha recebido de Xangô, orixá associado à Justiça e aos raios e trovões, um recado: não era hora de Gil deixar o ministério porque ainda tinha uma missão a cumprir. Gil continua a rir.</p>
<p>O assessor, então, pergunta. &#8220;Mas e aí, ministro?&#8221;</p>
<p>Gil responde: &#8220;Agora, é Xangô, ué?&#8221;</p>
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		<title>Coluna na Revista do Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jul 2008 15:07:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Começo este mês a publicar uma coluna mensal na Revista do Brasil.
O nome do projeto é EM TRANSE. O objetivo é falar desse nosso cenário em mutação, dos impactos nas nossas vidas, de um jeito bem simples, didático, para um público não iniciado, mas que sente que algo está ocorrendo ao redor &#8211; e que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começo este mês a publicar uma coluna mensal na <a href="http://www.revistadobrasil.net">Revista do Brasil</a>.</p>
<p>O nome do projeto é <strong>EM TRANSE</strong>. O objetivo é falar desse nosso cenário em mutação, dos impactos nas nossas vidas, de um jeito bem simples, didático, para um público não iniciado, mas que sente que algo está ocorrendo ao redor &#8211; e que vai ser protagonista ou vítima desse processo de hiperconectividade social em curso.</p>
<p>Serão duas páginas de revista por mês: bastante coisa. Na primeira, um texto corrido, sobre algum assunto relevante do momento e a segunda com dicas e sugestões, minhas e dos leitores. Portanto, enviem suas propostas, que eu terei o maior prazer em aproveitar por lá. Estou trabalhando na criação de uma comunidade de leitores da coluna.</p>
<p>Abaixo, a versão que enviei para publicação. No papel, sofreu pequenos ajustes:<br />
<strong><br />
A máquina somos nós</strong></p>
<p>A internet mudou nossas vidas. E isso é só o começo. Nos últimos anos, muitos brasileiros caíram na rede e descobriram como é legal interagir para obter e produzir informações. Números divulgados pelo Datafolha em agosto do ano passado apontam que temos no país cerca de 50 milhões de internautas com mais de 16 anos. Contando que muita gente com menos de 16 usa internet, dá para estimar que já somos uns 70 milhões em ação.</p>
<p>Dos países do planeta, O Brasil é aquele onde as pessoas mais passam tempo navegando, conforme dados de abril divulgados pelo Ibope/Net Ratings. Ainda assim, há quem tema a internet e as mudanças que ela promove. Muita gente simplesmente não a entende. Quem entra, porém, não vive mais sem.</p>
<p>Um vídeo que ajuda a compreender essa explosão de interesse, fascínio e apreensão, é A Máquina Somos Nós, produzido pelo Professor-Assistente de Antropologia Cultural da Universidade do Kansas, Michael Wesch. Está no <a href="http://www.youtube.com.br">You Tube</a>.</p>
<p>Nesse vídeo, Wesch fala de uma coisa chamada Web 2.0. Já ouviu falar?</p>
<p>Pois é, para explicar a expressão, recorro justamente a um dos sites da Web 2.0: a <a href="http://pt.wikipedia.org">Wikipedia</a>. A maior enciclopédia do mundo é escrita por todos nós. Sim, trata-se de uma espécie de biblioteca infinita, feita da colaboração entre internautas. Nela, a gente produz os verbetes, outras pessoas acrescentam informações, melhoram e fazem consultas.</p>
<p>E o que a Wikipedia nos diz sobre Web 2.0? “É um termo cunhado em 2004 pela empresa estadunidense <a href="http://oreilly.com/">O&#8217;Reilly Media</a> para designar uma segunda geração de comunidades e serviços baseados na plataforma Web, como wikis, aplicações baseadas em folksonomia e redes sociais”.</p>
<p>Complicou? Para simplificar, então. Web 2.0, por exemplo, é o <a href="http://www.orkut.com">Orkut</a>, um site de relacionamento onde tudo é produzido pelos usuários, é possível montar comunidades, conhecer pessoas, organizar suas fotos, seus vídeos, visitar seus amigos, mandar mensagens, enfim&#8230;</p>
<p>Outro exemplo é o Delicious (http://del.icio.us), um site que nos permite catalogar páginas favoritas de forma que outras pessoas possam vir as nossas dicas. Esse processo, de cidadãos organizando conteúdos, ganhou o nome de Folksonomia.</p>
<p>O próprio You Tube, onde está armazenado o vídeo de Wesch, pertence a esse cenário 2.0. Nele, quase nada do conteúdo disponível é produção da empresa que criou o serviço. São os usuários que mandam, produzem, trocam e interagem. Para se ter uma idéia do fenômeno, o You Tube, no Brasil, está entre os dez sites mais acessados. É o quarto, no <a href="http://www.alexa.com">ranking Alexa</a>.</p>
<p>A Web 2.0 é grande responsável por tanta gente gostar da rede. A gente poderia também chamá-la de Web Social, nome que me agrada mais porque Web 2.0, como citado acima, é criação de uma empresa. Não passa de um rótulo para algo que segundo Tim Berners Lee, o pai da internet, é a própria essência desse novo meio de comunicação.</p>
<p>Também gosto da expressão Web Social porque os sites que fazem sucesso são justamente aqueles que se moldam às nossas vidas. Um exemplo: na época do analógico, tirávamos as fotos, colocávamos no álbum e esperávamos uma visita para compartilhar. Hoje, basta criar um fotolog e enviar o link, que mesmo aquele amigo que mora muito longe pode acompanhar a sua história. Os sites estão cheios de serviços assim. O site <a href="http://www.fotolog.com">fotolog</a>, por exemplo, é o número 18 no ranking Alexa. É um site social. 2.0, se você preferir. Um sucesso.</p>
<p>O filme de Wesch, de menos de dez minutos, explica como é que isso tudo surgiu, de forma bem didática. Nele, há uma frase que sintetiza o que escrevi até agora: “a web não é mais apenas para ligar informações, a web é para ligar pessoas, a web 2.0 é para ligar pessoas, compartilhando, trocando e colaborando”. Por isso a nossa vida mudou.</p>
<p><em>COMENTÁRIO: Ainda acho que não atingi o tom nesse coluna. Queria ser didático, simples, mas acho que juntei muita coisa, no mesmo lugar. A segunda, que no próximo mês compartilho com vocês, sobre a terceira geração de celulares, acho que já ficou bem melhor. </em></p>
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		<title>Adeus ao libertário</title>
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		<pubDate>Mon, 26 May 2008 00:07:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Savazoni</dc:creator>
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		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa foto, a única que encontrei de Roberto Freire, o anarquista, no Flickr, é minha homenagem ao grande libertário, que morreu no sábado, com mais de 80. Freire foi excelente em tudo o que fez.

Quando li sua autobiografia, Eu é um Outro, fixei-me em uma passagem curta de sua trajetória, mas que no auge da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa foto, a única que encontrei de Roberto Freire, o anarquista, no Flickr, é minha homenagem ao grande libertário, que morreu no sábado, com mais de 80. Freire foi excelente em tudo o que fez.</p>
<p><a href='http://flimultimidia.com.br/rodrigo-savazoni/files/2008/05/robertofreire1.jpg' title='Roberto Freire'><img src='http://flimultimidia.com.br/rodrigo-savazoni/files/2008/05/robertofreire1.jpg' alt='Roberto Freire' /></a></p>
<p>Quando li sua autobiografia, Eu é um Outro, fixei-me em uma passagem curta de sua trajetória, mas que no auge da crise política do governo Lula me ajudou a encarar os fatos e olhar o futuro refletido no retrovisor. Freire, por um breve período, trabalhou no Ministério da Cultura do Governo de João Goulart. No livro, ele lembra com nostalgia sua passagem pelo poder público federal, antes dos 30 anos, e faz uma reflexão saudável sobre as contradições de servir ao público por dentro do estado.</p>
<p>Para não falar nas reportagens da Realidade, escritas por ele, que li ainda na faculdade. E das discussões com alguns bons amigos sobre anarquia, inspirados pela defesa enfática que Freire fazia da liberdade e do indivíduo, sem perder jamais de perspectiva a importância de servirmos ao bem de todos. Não o conheci pessoalmente. Tive algumas chances. Agora, me arrependo de não ter forçado a barra para conhecê-lo. De repente, me bateu uma baita saudade.</p>
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