Em transe: A web imita a vida
by Rodrigo Savazoni
As redes sociais, ou sites de redes sociais, são uma febre – e para muitas pessoas – a única coisa que existe na internet
O ativista Cláudio Prado, presidente do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, narra um episódio ocorrido com ele em uma favela. Ao ministrar uma oficina sobre novas mídias, perguntou aos 30 meninos e meninas participantes quantos acessavam a internet: 22 levantaram a mão. Na sequência, perguntou quantos usavam Orkut: 26 se manifestaram. No Brasil, a impressão que passa é a de que as redes sociais são maiores que a própria rede mundial de computadores. Mais de 50% dos perfis criados no Orkut são “brasileiros”.
Mas o que é uma rede social? Segundo danah boyd, estudiosa do tema e consultora de grandes empresas do mundo, um site de rede social tem três características: 1) permitir ao usuário construir um perfil; 2) articular uma lista de amigos e conhecidos; e 3) visualizar e cruzar sua lista de amigos com os seus associados e com outras pessoas dentro do sistema. O Orkut é o grande fenômeno, mas há outros casos.
No Dogster ou no Catster, donos de bichos de estimação constroem os perfis de seus animais e trocam informações. O MyChurch reúne igrejas, paróquias e fiéis e conecta pessoas que compartilham da mesma fé – aqui acontecem até cultos.
Há também opções, por assim dizer, mais mórbidas, como o Always be Remembered e o Gone too Soon. As duas mantêm perfis de pessoas que morreram, criados por amigos e familiares.
Nos primórdios, as redes sociais foram pensadas para aproximar pessoas que não se conheciam. Logo, percebeu-se que seriam muito mais úteis se trouxessem para o mundo virtual as relações já existentes fora da web (laços consolidados). Foi assim que o Friendster, rede pioneira em sucesso, se consolidou, nos idos de 2002.
No entanto, nos últimos anos, temos visto a volta de redes mais focadas, como as que citei anteriormente ou como a LinkedIn, dedicada a currículos e ao gerenciamento de contatos profissionais.
De tudo o que vi até agora – e estou sempre rastreando novos exemplos -, a mais diferente foi a Muslima, redepara acerto de casamentos entre muçulmanos, criada pela equipe da Cupidmedia. Como não consegui entrar, não descobri se são as próprias pretendentes que participam ou os seus pais.
A web imita a vida. Quer se organizar politicamente? Namorar? Encontrar um emprego? Publicar vídeos, fotos, jogar on-line ou homenagear alguém que já se foi? Todos os caminhos levam a uma rede social.
Ouça música
Blip FM (www.blip.fm), Last FM () e AccuRadio (www.accuradio.com).
O MySpace poderia estar na outra lista, pois é um dos sites mais vistos do planeta e também funciona como uma rede social normal, completa, como Orkut ou Facebook. Mas o legal mesmo ali é fuçar na área de música, na qual estão disponíveis perfis de bandas e cantores, dos grandes sucessos aos notórios anônimos. A LastFM reinava absoluta no universo das rádios colaborativas, em que era possível criar uma programação e ser ouvido pelos seus amigos, até surgir a Blip.FM, que é uma ferramenta de brincar de DJ e recomendar canções muito divertida.
As maiores
Orkut, Facebook, Skyrock, Cyworld, Bebo, Hi5
Líderes de mercado, essas redes são muito parecidas entre si. Oferecem, quase todas, as mesmas funcionalidades. A CyWorldCyworld é mais utilizada em países asiáticos, como a Coreia, onde surgiu, e a China. O Skyrock é o terceiro site mais acessado na França (os franceses têm sempre de ter seu próprio produto). A <a href="Hi5“>Hi5 bombou em países hermanos e recentemente chegou mais forte ao Brasil. A Bebo foi durante um bom tempo uma rede quase exclusiva do Reino Unido. Facebook é, de todas elas, a mais mundial, a mais “intelectual” e a mais internacional.
Legais ou ilegais
Barack Obama criou uma rede e usou-a para mobilizar a juventude durante sua campanha. Tornou-se presidente. Resta saber se vai barrar no Congresso americano o projeto de lei que propõe impedir o acesso a sites de redes sociais em escolas e bibliotecas públicas. Tomara que ele não siga o exemplo do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Durante a campanha, Kassab criou a K25, uma rede social para organizar seus correligionários. Mas, no mesmo período, assinou um decreto que impede o acesso ao Orkut e a outras redes nas escolas da maior cidade brasileira. Para o político brasileiro, rede social boa é a dele.
Crie a sua
Se nada agradou, vá ao site do Ning e crie a sua rede social, sobre o tema que quiser. Geralmente, as redes criadas no Ning são menores. Elas são um ótimo substituto para o grupo de e-mails e trazem as mesmas funcionalidades que as melhores redes sociais da web.

Comments
Existe uma rede social que teve uma breve ascenção e queda no Brasil, Rodrigo. Já viu?
http://www.flickr.com/photos/imaginarios/3195555680/sizes/l/
Fala, Savazoni!
Legal esse post com um ‘apanhado’ de redes sociais.
E para contribuir, puxando a sardinha pra minha rede favorita, acrescento que o mais legal da last.fm é a construção duma ‘biblioteca’ de tudo que você ouve, além das recomendações que ele faz em cima das suas preferências.
E o sucesso desse mecanismo é devido à grande idéia do audioscrobbler.
Já o blip.fm é uma ferramenta tosca, mal feita, que tá surfando na onda do twitter. O pouco que naveguei por lá me deixou irritado por conta da interface precária e dos bugs.
Mas é isso aí, no fim das contas o que vale é a interação, são as aproximações, são as conversas.
Abraço!
Vixe, às vezes fico perdida com tanta rede. Uma hora Lastfm, outra, Blip. Difícil se guiar… Precisando de consultoria já! Por enquanto, vou me cadastrando em todas que os amigos indicam e estão
abs,
Ju