A censura à internet em Minas Gerais
by Rodrigo Savazoni
Esta imagem, meio Matrix meio Minority Report, aparece quando você clica no endereço do jornal mineiro Novo Jornal. Outro jornal mineiro, O Tempo, publicou uma matéria sobre o tema na sexta-feira.
A exibição do site www.novojornal.com.br na Internet foi suspensa na tarde de ontem pela “Operação Anonymus”, organizada em conjunto entre a Promotoria Estadual de Combate aos Crimes Cibernéticos e a Polícia Militar. A equipe cumpriu mandados de busca e apreensão no escritório do site que está sendo investigado por indícios de práticas de crimes, dentre eles, o de não ter identificação pelo responsável pelas notícias veiculadas. O processo corre sob sigilo judiciário.
A promotoria recebeu representação criminal na qual diz que desde 2007 o site publicava matérias atentatórias à honra de autoridades públicas federais e estaduais. As matérias publicadas incluíam ataques ao procurador geral de Justiça, Jarbas Soares Junior, e principalmente ao governador Aécio Neves (PSDB). (texto de O Tempo)
Na revista digital NovaE, um longo texto do blogueiro José de Souza Castro, o primeiro a descobrir que o site do Novo Jornal foi tirado do ar por ação da justiça, começa a detalhar o que ocorreu e faz o link entre esse processo e o cerco que começa a se estruturar no Brasil contra a liberdades na rede mundial de computadores.
O governo de Minas parece que tinha muita pressa para resolver essa questão com o Novo Jornal. Segundo O Tempo, “a Promotoria Estadual de Combate aos Crimes Cibernéticos foi criada em Belo Horizonte em 16 de julho deste ano. Com o crescente número de crimes praticados por usuários da rede, o MPE decidiu pela sua implantação. A promotoria atua como um órgão de suporte aos promotores de Justiça que atuam na área criminal e agiliza o atendimento às vítimas”. E acrescenta, citando uma pessoa identificada como Vanessa Fusco: “A estratégia é agir proativamente no enfrentamento desse tipo de crime, que vem crescendo principalmente com a chegada da banda larga às cidades do interior”. E conclui: “Um projeto de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB) prevê a tipificação da conduta dos crimes praticados na Internet”. (texto da Novae)
Daniel Florêncio, um produtor multimídia brasileiro radicado em Londres, produziu no ano passado uma reportagem sobre a relação entre mídia e poder em Minas Gerais para a Current TV, que merece ser revista neste momento:
E aí, alguém tem mais informações sobre o ocorrido? Seria o caso de pensar que veículos poderão ser fechados na internet por enfrentarem políticos e poderosos?

Comments
Pois é, muito estranho isso, porque ninguém até agora sabe direito quais foram os crimes cometidos pelo site. “não ter identificação pelo responsável pelas notícias veiculadas” é bem vago, não? Ou vão fechar todos os sites anônimos da rede? Impressão minha ou a situação está ficando crítica?
E essa moderação nos seus comentários hein?
Ok, pode apagar esse, eu deixo…
Resistir…
E muito,,,
Antes que liberdade se torne muito tardia…
Rodrigo, infelimente o tema da censura é comum e muito presente aqui nas ex-repúblicas soviéticas, especialmente na Rússia. É incrível como o povo de lá recebe as notícias totalmente distorcidas, e no final das contas o que acaba acontecendo é uma grande lavagem cerebral.
Veja o exemplo da guerra na Geórgia, a maioria absoluta da população Russa apoiou o governo local e o sentimento se estendeu até o leste Ucraniano, onde as crianças de uma escola pública fizeram desenhos: a) pedindo para o governo russo vir libertá-los da Ucrânia, b) apoiando a guerra contra a Geórgia, c) Putin cortando a cabeça de Sakaashvili, d) o governo russo dando passaportes russos para os cidadão Ucranianos em Sevastopol.
Eu vejo a mistura poder bélico + nação manipulada como um barril de pólvora (ou gás) que pode a qualquer hora explodir. Vale lembrar que esse povo sempre teve sentimentos imperialistas…
Espero que a imprensa possa ser (quem sabe um dia) livre em Moscou.