Coluna na Revista do Brasil

by Rodrigo Savazoni

Começo este mês a publicar uma coluna mensal na Revista do Brasil.

O nome do projeto é EM TRANSE. O objetivo é falar desse nosso cenário em mutação, dos impactos nas nossas vidas, de um jeito bem simples, didático, para um público não iniciado, mas que sente que algo está ocorrendo ao redor – e que vai ser protagonista ou vítima desse processo de hiperconectividade social em curso.

Serão duas páginas de revista por mês: bastante coisa. Na primeira, um texto corrido, sobre algum assunto relevante do momento e a segunda com dicas e sugestões, minhas e dos leitores. Portanto, enviem suas propostas, que eu terei o maior prazer em aproveitar por lá. Estou trabalhando na criação de uma comunidade de leitores da coluna.

Abaixo, a versão que enviei para publicação. No papel, sofreu pequenos ajustes:

A máquina somos nós

A internet mudou nossas vidas. E isso é só o começo. Nos últimos anos, muitos brasileiros caíram na rede e descobriram como é legal interagir para obter e produzir informações. Números divulgados pelo Datafolha em agosto do ano passado apontam que temos no país cerca de 50 milhões de internautas com mais de 16 anos. Contando que muita gente com menos de 16 usa internet, dá para estimar que já somos uns 70 milhões em ação.

Dos países do planeta, O Brasil é aquele onde as pessoas mais passam tempo navegando, conforme dados de abril divulgados pelo Ibope/Net Ratings. Ainda assim, há quem tema a internet e as mudanças que ela promove. Muita gente simplesmente não a entende. Quem entra, porém, não vive mais sem.

Um vídeo que ajuda a compreender essa explosão de interesse, fascínio e apreensão, é A Máquina Somos Nós, produzido pelo Professor-Assistente de Antropologia Cultural da Universidade do Kansas, Michael Wesch. Está no You Tube.

Nesse vídeo, Wesch fala de uma coisa chamada Web 2.0. Já ouviu falar?

Pois é, para explicar a expressão, recorro justamente a um dos sites da Web 2.0: a Wikipedia. A maior enciclopédia do mundo é escrita por todos nós. Sim, trata-se de uma espécie de biblioteca infinita, feita da colaboração entre internautas. Nela, a gente produz os verbetes, outras pessoas acrescentam informações, melhoram e fazem consultas.

E o que a Wikipedia nos diz sobre Web 2.0? “É um termo cunhado em 2004 pela empresa estadunidense O’Reilly Media para designar uma segunda geração de comunidades e serviços baseados na plataforma Web, como wikis, aplicações baseadas em folksonomia e redes sociais”.

Complicou? Para simplificar, então. Web 2.0, por exemplo, é o Orkut, um site de relacionamento onde tudo é produzido pelos usuários, é possível montar comunidades, conhecer pessoas, organizar suas fotos, seus vídeos, visitar seus amigos, mandar mensagens, enfim…

Outro exemplo é o Delicious (http://del.icio.us), um site que nos permite catalogar páginas favoritas de forma que outras pessoas possam vir as nossas dicas. Esse processo, de cidadãos organizando conteúdos, ganhou o nome de Folksonomia.

O próprio You Tube, onde está armazenado o vídeo de Wesch, pertence a esse cenário 2.0. Nele, quase nada do conteúdo disponível é produção da empresa que criou o serviço. São os usuários que mandam, produzem, trocam e interagem. Para se ter uma idéia do fenômeno, o You Tube, no Brasil, está entre os dez sites mais acessados. É o quarto, no ranking Alexa.

A Web 2.0 é grande responsável por tanta gente gostar da rede. A gente poderia também chamá-la de Web Social, nome que me agrada mais porque Web 2.0, como citado acima, é criação de uma empresa. Não passa de um rótulo para algo que segundo Tim Berners Lee, o pai da internet, é a própria essência desse novo meio de comunicação.

Também gosto da expressão Web Social porque os sites que fazem sucesso são justamente aqueles que se moldam às nossas vidas. Um exemplo: na época do analógico, tirávamos as fotos, colocávamos no álbum e esperávamos uma visita para compartilhar. Hoje, basta criar um fotolog e enviar o link, que mesmo aquele amigo que mora muito longe pode acompanhar a sua história. Os sites estão cheios de serviços assim. O site fotolog, por exemplo, é o número 18 no ranking Alexa. É um site social. 2.0, se você preferir. Um sucesso.

O filme de Wesch, de menos de dez minutos, explica como é que isso tudo surgiu, de forma bem didática. Nele, há uma frase que sintetiza o que escrevi até agora: “a web não é mais apenas para ligar informações, a web é para ligar pessoas, a web 2.0 é para ligar pessoas, compartilhando, trocando e colaborando”. Por isso a nossa vida mudou.

COMENTÁRIO: Ainda acho que não atingi o tom nesse coluna. Queria ser didático, simples, mas acho que juntei muita coisa, no mesmo lugar. A segunda, que no próximo mês compartilho com vocês, sobre a terceira geração de celulares, acho que já ficou bem melhor.