Tudo já estava escrito

by Rodrigo Savazoni

Estou curtindo o meu inferno astral.

E reconstituindo sinapses biográficas.

 

Fiquei lembrando recentemente do meu trabalho de conclusão de curso: a produção de uma revista de reportagens chamada Brasil Plural. Nossa idéia era mostrar que a reportagem pode e deve ser instrumento para a discussão profunda sobre o País e o mundo no qual estamos vivendo. Por causa desse trabalho, recebemos o Prêmio Volkswagen de Jornalismo na categoria revista impressa e fomos finalista do prêmio Expocom, também na categoria revista impressa, na edição de 2002.

 

O espírito daquele trabalho deu origem ao coletivo EmCrise, uma tentativa coletiva de questionar as estruturas vigentes e os modelos de produção da informação que continuam a vigorar no País. O EmCrise era inspirado nas publicações alternativas dos anos 70 no Brasil, especificamente no jornal Versus (editado pelo grande gênio do jornalismo literário brasileiro, Marcos Faerman). Depois a gente descobriu que Eduardo Galeano foi editor de uma publicação, na Argentina, na década de 70, cujo nome era Crisis e achamos isso “do caralho”.

 

Por causa da Brasil Plural, me aproximei ainda mais do Eugênio Bucci, meu querido mestre. O Em Crise era eu, a Lia Rangel (que se tornou minha esposa), o André Deak, que é o editor multimídia da Agência Brasil, o Daniel Merli, que também é editor da Agência Brasil, o Aloísio Milani chegou a colaborar. Enfim, foi ali que tudo começou. E quando a gente chegou na Radiobrás, fomos tutoreados por um cara fantástico chamado Celso Nucci, que tem uma coleção completa da Crisis na casa dele. Esses elementos todos, demonstram, ou não demonstram, que tudo já estava escrito?